Como calcular a nova razão de divisão dos lucros
Na admissão, o novo sócio recebe a sua parte dos sócios antigos. Casos comuns:
- Só a parte do novo sócio é informada: os sócios antigos dividem o restante na razão antiga. Nova parte do sócio antigo = parte antiga × (1 − parte do novo sócio).
- O sacrifício dos sócios antigos é informado: Nova parte = Parte antiga − Sacrifício.
- O novo sócio tira a parte dele de um só sócio: só a parte desse sócio diminui.
Razão de sacrifício = parte antiga − parte nova de cada sócio antigo.
Goodwill na admissão (AS 26)
O novo sócio paga pela sua parte do goodwill porque vai dividir os lucros extras do futuro.
- Ágio pago em dinheiro: Banco C/c D, A Ágio de Goodwill C/c; depois Ágio de Goodwill C/c D, A Contas de Capital dos Sócios que Sacrificaram (na razão de sacrifício).
- Ágio não pago em dinheiro: Conta Corrente/Capital do Novo Sócio D, A Contas de Capital dos Sócios que Sacrificaram.
- Pago em parte: junte os dois casos.
- Ágio retirado pelos sócios antigos: Contas de Capital dos Sócios Antigos D, A Banco.
AS 26: não se registra conta de goodwill para o goodwill gerado pela própria empresa. Se já existe goodwill antigo nos livros, baixe-o entre os sócios antigos na razão antiga.
Goodwill oculto
Se o capital do novo sócio indica um capital total maior que a soma dos capitais (após os ajustes), a diferença é goodwill oculto: Goodwill = Capital total implícito − (Capitais antigos ajustados + Capital do novo sócio).
Reavaliação de ativos e passivos
Ativos e passivos são reavaliados para que o novo sócio não ganhe nem perca com mudanças que aconteceram antes dele. O saldo da Conta de Reavaliação vai para os sócios antigos na razão antiga. Outra opção é a Conta de Reavaliação Memorando, que mantém os valores contábeis e faz o ajuste pelos capitais.
Reservas e lucros acumulados
A Reserva Geral, o saldo credor de Lucros e Perdas, a Reserva para Indenização de Trabalhadores (o que passar do valor das ações) e a Reserva de Flutuação de Investimentos (o que passar da queda) vão para os sócios antigos na razão antiga. Prejuízos acumulados são debitados a eles na razão antiga.
Ajuste dos capitais
Caso 1: capitais dos sócios antigos definidos a partir do capital do novo sócio. Capital total = capital do novo sócio × inverso da parte dele. Novo capital de cada sócio antigo = total × nova parte dele. Compare com o capital ajustado: o excesso é retirado (Capital D, A Banco/Conta Corrente); a falta é aportada (Banco D, A Capital).
Caso 2: capital do novo sócio definido a partir dos capitais antigos. Total = soma dos capitais antigos ajustados ÷ soma das novas partes deles; capital do novo sócio = total × parte dele.
Balanço da nova sociedade
Depois de todos os lançamentos, monte as contas de capital dos sócios (com uma coluna para cada sócio) e o novo balanço: valores revisados de ativos e passivos, novo saldo de caixa/banco (incluindo o que entrou e o que saiu) e os capitais finais dos sócios. Os totais devem fechar.
Fórmulas e definições principais
- Nova parte do sócio antigo = Parte antiga × (1 − Parte do novo sócio)
- Sacrifício = Parte antiga − Parte nova
- Parte do ágio de cada sócio que sacrificou = Ágio × seu sacrifício ÷ sacrifício total
- Goodwill oculto = Capital do novo sócio ÷ sua parte − (Capitais antigos ajustados + Capital do novo sócio)
- Capital total da nova sociedade = Capital do novo sócio ÷ sua parte
- Capital necessário do sócio antigo = Capital total × sua nova parte
Exemplos resolvidos
1. A e B dividem 3:2. C é admitido com 1/5. Ache a nova razão e a razão de sacrifício.
Sobra para A e B = 4/5. A = 3/5 × 4/5 = 12/25; B = 2/5 × 4/5 = 8/25; C = 5/25. Nova razão 12:8:5. Sacrifício: A 15/25 − 12/25 = 3/25; B 10/25 − 8/25 = 2/25 → 3:2.
2. X e Y 2:1. Z é admitido com 1/4, tirando 1/6 de X e 1/12 de Y. Qual é a nova razão?
X = 2/3 − 1/6 = 1/2 = 6/12; Y = 1/3 − 1/12 = 3/12; Z = 3/12. Nova razão 6:3:3 = 2:1:1.
3. C traz ₹20,000 de ágio; razão de sacrifício 3:2. Faça os lançamentos.
Banco D 20,000, A Ágio de Goodwill 20,000. Ágio de Goodwill D 20,000, A Capital de A 12,000, A Capital de B 8,000.
4. O goodwill da empresa é ₹90,000. D entra com 1/3, mas não traz dinheiro para o goodwill. Razão antiga A:B = 1:1, sacrifício igual.
Parte de D no goodwill = 30,000. Conta Corrente de D D 30,000, A Capital de A 15,000, A Capital de B 15,000.
5. A e B têm capitais de ₹60,000 e ₹40,000 (após os ajustes). C traz ₹50,000 por 1/4. Ache o goodwill oculto.
Total implícito = 50,000 × 4 = 2,00,000. Real = 60,000 + 40,000 + 50,000 = 1,50,000. Goodwill = ₹50,000; a parte de C = 12,500, creditada a A e B na razão de sacrifício.
6. C traz ₹1,00,000 por 1/5; nova razão 12:8:5. Capital ajustado de A ₹2,70,000, de B ₹1,50,000. Ajuste os capitais.
Total = 5,00,000. A precisa de 2,40,000 → excesso de 30,000 é retirado. B precisa de 1,60,000 → aporta 10,000.
7. Balanço antes da admissão: Caixa 20,000, Estoque 50,000, Prédio 1,30,000 = 2,00,000; Credores 40,000, Capitais A 1,00,000, B 60,000. Prédio +20,000; C traz capital 50,000 e ágio 10,000 (para A e B, 3:2). Quais são os novos totais?
Ganho de reavaliação 20,000 → A 12,000, B 8,000. Ágio → A 6,000, B 4,000. Capitais: A 1,18,000, B 72,000, C 50,000 = 2,40,000. Ativos: Caixa 80,000, Estoque 50,000, Prédio 1,50,000 = 2,80,000 = Credores 40,000 + 2,40,000.
Erros comuns
- Dar o ágio de goodwill aos sócios antigos na razão antiga quando a razão de sacrifício é diferente.
- Creditar o ganho de reavaliação ou as reservas ao novo sócio.
- Registrar uma conta de goodwill para a parte do novo sócio (não é permitido pela AS 26).
- Esquecer de incluir o capital do novo sócio ao calcular o goodwill oculto.