Cinema americano comercial e independente
Os filmes comerciais (mainstream) são feitos ou lançados por grandes empresas (estúdios) e querem atingir um público enorme. Sinais típicos: orçamentos altos, astros conhecidos, gêneros familiares, muito marketing e um lançamento amplo (milhares de salas no mesmo fim de semana).
As opções comerciais do conjunto incluem Carol (2015, Todd Haynes), La La Land (2016, Damien Chazelle), Joker (2019, Todd Phillips), Little Women (2019, Greta Gerwig) e Nomadland (2020, Chloé Zhao). Alguns foram feitos por realizadores pequenos com estúdios parceiros; aqui “comercial” quer dizer grande alcance e apoio da indústria, e não só um orçamento gigante.
O que torna um filme independente?
Os filmes independentes são feitos fora dos grandes estúdios. Em geral têm orçamentos pequenos (muitas vezes abaixo de US$ 10 milhões), menos astros e mais liberdade para arriscar na história, no estilo e no tema. Costumam estrear em festivais (como Sundance), ter um lançamento limitado em poucos cinemas e crescer com as críticas e o boca a boca.
As opções independentes do conjunto incluem Beasts of the Southern Wild (2012, Benh Zeitlin), Captain Fantastic (2016, Matt Ross), Moonlight (2016, Barry Jenkins), Get Out (2017, Jordan Peele) e Promising Young Woman (2020, Emerald Fennell).
A linha é difusa: empresas especializadas, como a A24 e a Blumhouse, fazem filmes de baixo orçamento que podem virar grandes sucessos, e filmes indies podem ganhar os maiores prêmios.
Como estudar a linguagem do filme
A linguagem do filme é o modo como ele é construído. Estude as sequências-chave por meio de:
- Fotografia: tamanho do plano, ângulo, movimento de câmera, cor e iluminação.
- Mise-en-scène: tudo o que está no quadro: cenário, figurino, objetos, posição dos atores.
- Montagem: como os planos são unidos, o ritmo e como o tempo é tratado.
- Som: diálogo, música, efeitos e silêncio; diegético (dentro do mundo da história) ou não diegético (colocado para o público).
- Atuação: como os atores usam voz, rosto e corpo.
Sempre ligue uma técnica ao seu efeito e ao seu significado: não basta dizer “um close”, mas sim “um close nos mantém dentro dos sentimentos do personagem”.
Contextos: quando, como e por que o filme foi feito
- Contexto de produção: quem pagou, o orçamento, o estúdio ou a empresa, a tecnologia.
- Contexto social e cultural: questões da época, como debates sobre raça, gênero, classe e sobre quem pode contar histórias na tela (por exemplo, o debate #OscarsSoWhite de 2015–16).
- Mudanças na indústria desde 2012: os serviços de streaming cresceram rápido, as câmeras digitais viraram padrão e os grandes filmes de franquia ocuparam mais salas, empurrando muitos dramas de orçamento médio para empresas indies e streamings.
Como escrever uma comparação
- Escolha um tema em comum (sonhos, identidade, família, outsiders, a cidade americana).
- Escolha uma sequência-chave de cada filme.
- Compare a linguagem do filme: como cada um usa câmera, cor, música ou montagem para mostrar o tema?
- Explique as diferenças pelo contexto: orçamento, público, empresa, época.
- Conclua: o que essa dupla nos diz sobre o cinema americano de hoje?
Dupla de exemplo: La La Land e Moonlight (ambos de 2016). Os dois falam de quem a pessoa se torna. Um usa cores vivas, canções e planos longos e fluidos; o outro usa closes íntimos, luz colorida e intensa sobre os rostos e uma estrutura em três partes.
Experimente: mapeie um trailer
Veja o trailer oficial de um filme comercial e de um indie. Conte os cortes nos primeiros 30 segundos de cada um. Anote a música e quantas vezes os nomes dos astros aparecem. Adivinhe qual filme teve o maior orçamento e depois confira. No 3D, escolha cada filme e compare o lado e os temas dele.
Fórmulas e definições principais
- Comercial: grande estúdio, grande orçamento, astros, lançamento amplo
- Independente: fora dos grandes estúdios, orçamento pequeno, festivais, lançamento limitado
- Linguagem do filme: fotografia, mise-en-scène, montagem, som, atuação
- Som diegético: dentro do mundo da história; não diegético: colocado para o público
- Contextos: de produção, social, cultural, político, institucional
Exemplos resolvidos
1. Por que um diretor escolheria fazer um filme de forma independente?
Mais controle criativo, liberdade para contar uma história arriscada ou pessoal e menos pressão para agradar a todos. O preço é um orçamento menor e um lançamento menor.
2. Cite um tema em comum que você poderia usar para Little Women e Captain Fantastic.
Família: os dois acompanham uma família de irmãos e perguntam como os jovens encontram o próprio caminho, um na América do século 19, o outro numa família moderna que vive isolada da sociedade.
3. Como você poderia comparar o uso da cor em La La Land e Moonlight?
La La Land usa cores primárias fortes no figurino e no cenário para lembrar os musicais clássicos e mostrar os sonhos. Moonlight usa azuis e rosas saturados na iluminação para mostrar o humor e a memória, ficando perto do rosto dos personagens.
4. Como o contexto ajuda a explicar Get Out?
Foi um filme de terror de baixo orçamento, feito com uma empresa especializada no gênero. Lançado em 2017, durante um grande debate público sobre raça nos EUA, usou o terror para comentar o racismo, o que o ajudou a chegar a um público enorme.
Erros comuns
- Só contar o enredo. Analise como a linguagem do filme cria significado.
- Dizer que independente quer dizer amador. Muitos filmes indies são muito bem feitos e ganham grandes prêmios.
- Citar técnicas sem o efeito ("há um close"). Sempre diga o que isso nos faz sentir ou pensar.
- Comparar os filmes separadamente, em duas metades. Compare-os ponto a ponto.